Todos sabem o quão interessante é ver um filme baseado numa história em quadrinhos, principalmente se você curte HQs. O que dizer então de jogos que são feitos inspirados em um quadrinho. A expectativa é enorme! Vários foram os jogos inspirados nos X-Men ou na turma da DC. A mesma coisa aconteceu quando foi anunciado que teríamos um jogo do Ghost Rider (Motoqueiro Fantasma)! A 2KGames e a Climax Studios estavam responsáveis pelo projeto e a 2KGames tem uma série de bons jogos, tudo indicava que algo bom estaria a caminho. Que nada! Uma combinação de um sistema de combate obviamente copiado de outras séries, inimigos repetitivos e estágio sem brilho fazem de Ghost Rider algo assustador, e não, não num bom sentido.
Para quem não conhece a história dos quadrinhos criados por Garth Ennis (criador de outras ótimas séries como “Apenas um Peregrino”) e Jimmy Palmiotti, Johnny Blaze vende a alma para salvar a vida do pai, se transformando no Motoqueiro Fantasma toda a vez que sangue inocente é derramado. Entretanto, Mephisto, o demônio mais famoso da Marvel e que pegou a alma de Johnny, tem outros planos para o Motoqueiro. Tudo indica que o filho de Mephisto, Blackheart, e uma série de outros demônios do inferno escaparam de lá e estão ameaçando adiantar o Apocalipse. Isso supostamente ameaçaria o delicado equilíbrio que Mephisto tem com o Céu, então ele oferece a Johnny uma escolha que ele não pode recusar. Ou o Motoqueiro luta por ele e destrói os demônios rebeldes, ou a namorada de Johnny, Roxanne Simpson, seria levada para as profundezas, sendo possuída por Mephisto.
A jogabilidade envolve ataques com pancadas fortes e fracas com suas correntes em chamas, que abrem a possibilidade para combos, e que combinam com disparos de escopetas e energia que o motoqueiro tem à sua disposição. Se você conseguir preencher a barra de “spirit”, ele entra no modo de retribuição que aumenta sua velocidade e dano, permitindo que você possa soltar um super-movimento conhecido como “Penance Stare” (algo como olhar de penitência). Você recebe almas para cada inimigo que destrói que serão utilizadas para adquirir novas habilidades para o Motoqueiro. Com um bom equilibro em seus ataques, você pode até receber mais almas, desde que não seja atingido.
Infelizmente, se você jogou os melhores games de ação para Playstation 2, você perceberá o quanto Ghost Rider simula esses games. Os ataques com as correntes mais parecem God of War, da mesma forma em que o sistema de avaliação (ranking) em batalha é todo tirado de Devil May Cry. E não importa muito o ranking que você tira, pois você sempre terá uma quantidade suficiente de almas para liberar qualquer novidade que o game tenha. E se você não tomar cuidado com certos monstros que contam com escudos de energia, aí é que seu ranking vai lá pra baixo, isso sem falar que você jogará sua barra de vingança fora, tendo que começar tudo novamente. Nem gostaria de mencionar os inimigos, onde temos alguns demônios, ninjas, palhaços e uns elementais que você tem que destruir para pegar a alma deles. E é só isso! O que não dá para acreditar, principalmente se lembrarmos a quantidade de vilões que a Marvel tem á disposição! Mas a única variação é na quantidade de inimigos ou no local onde eles aparecem. Para um personagem que detonou Lucifer e lutou contra o Doutor Estranho nos quadrinhos, os inimigos desse game pura decepção! Pelo menos se houvessem chefões da Marvel, mas nem isso!
E pilotar a Hellcycle poderia ser uma boa experiência, mas ao invés disso, é pior que o combate! Você pilotará a moto em pistas chatas, com alguns obstáculos. Pelo caminho, inimigos surgem na estrada para te atacar. Você pode destruí-los com sua corrente movimentando sua moto para a esquerda e para a direita ou disparando projéteis. Os controles da moto são ruins, pois às vezes demoram a responder aos comandos, e adivinhe o que espera você no final? Mais um elemental...
Se pelo menos os visuais do jogo fossem bons, Ghost Rider teria uma salvação. Mas não, nem isso. Os detalhes de ambiente são feios e de fraca definição e os modelos de personagens mal tem expressão. A câmera é horrível. Você mal tem controle dela e quando tem é limitado, sendo que ainda poderá ficar presa num canto ou num monstro, fazendo com que seja praticamente impossível ver o que está acontecendo, especialmente se houverem muitos inimigos ao mesmo tempo na tela. Adicione tudo isso a pequenos problemas de lentidão nas imagens, que ocorrem ocasionalmente.
O som é um pouquinho melhor, mas não muito. Alguns barulhos são legais, já outros são mal feitos ou irritam depois de um tempo. As vozes também não foram muito trabalhadas e a trilha sonora não chama atenção. De fato, você pode até desligar o som, pois não adiciona nada no jogo.
Infelizmente esse jogo não é o que os fãs da série poderiam estar buscando. O combate é repetitivo e frustrante, até o roteiro é dispensável. Se mesmo assim você realmente for corajoso o suficiente para encarar esse game, não se preocupe, não vai durar mais que uma tarde, é bem curto. Quer realmente jogar essa pérola, pelo menos alugue para não desperdiçar seu dinheiro.
Plataforma: Playstation 2
Data de Lançamento: 13/02/2007
Distribuidora: 2K Games
Produtora: Clímax Studios
Gênero: Ação
ESRB Rating (censura): Teen (adolescentes)
Nota: 3,5 / 10.0
Redator: Jeancarlos “Omega_Sephiroth” Mota