Sempre vemos que quando sai um jogo e ele se torna clássico, logo em seguida vem inúmeros outros títulos da mesma franquia mas sem nada de muito interessante a ser adicionado. No entanto, o que acontece se a Square Enix coloca as mãos no aclamado Valkyrie Profile da Tri-Ace? Não somente um jogo comercial, mas uma obra de arte que faz jus ao nome que carrega.
Para não estragar a história do jogo, não contarei segredos dela e passarei o início. Para começar, o jogo se passa antes do original, contando a história de dois personagens principais, Silmeria e Alicia que estão aprisionadas no mesmo corpo. Silmeria é uma das três valquirias de Odin, que estava encarregada de levar almas de poderosos guerreiros para Valhalla. Mas ela desobedece Odin, no qual ele tira os poderes dela e aprisiona no corpo de Alicia, a princesa de Dipan. Era para Silmeria estar dormindo até a segunda ordem de Odin, mas ela desperta no corpo da princesa e assim cria uma pessoa com duas almas em um corpo. Isso faz com que as pessoas pensem que Alicia é louca ou está possuida, então o rei manda aprisioná-la em um castelo e alega a morte dela. Para piorar a vida de Alicia, Odin envia Hrist para buscar Silmeria.
Assim começa a história de Alicia e Silmeria. Tirando a história principal, há inúmeras outras pequenas que podemos fazer, seja falando com os personagens, ou pegando mapas, ou pegando itens e fortalecendo o grupo. Todos que curtiram o primeiro, encontrarão localidades conhecidas como Solde e Dipan, e alguns personagens também como Arngrim e Lezard Valeth.
Os Einherjar (espíritos) tem um papel significativo no jogo, no entanto diferente do primeiro, já que Silmeria é uma valquiria renegada. Como ela não tem poderes para recrutar as almas dos mortos, somente poderá materializar elas e no certo tempo reincarnar. E tem mais, somente poderá isso se tiver a posse do espírito. Andando pelo jogo encontraremos vários equipamentos como espadas, machados e arcos, no qual poderemos ressucitar o Einherjar. Poderemos ter eles no grupo para enfrentar os monstros e usar as habilidades. No entanto, chegando em um certo nível o einherjar pode ser liberto e reencarnar em uma pessoal em Midgard. Pode achar besteira liberar do grupo aquele personagem que ficou horas subindo o nível, no entanto há bonus caso liberte. Dependendo do nível, equipamento, habilidades, ele deixará itens precisos pra usar no grupo restante. Fora que se encontrarmos ele em Midgard na forma humana, ele ajudará com itens, dinheiro ou equipamentos.
Outra mudança foi que não é mais possível materializar equipamentos e itens, já que Silmeria não tem mais esses poderes. Com isso ficamos dependentes do que acharmos dentro do jogo ou comprarmos. Uma das coisas interessantes é que podemos combinar itens para ficarem mais fortes, mas isso só é possível caso viremos freguês de uma loja. Isso é, temos que comprar na mesma sempre para ele ir liberando mais itens.
E diferente do primeiro jogo também são as habilidades, são baseadas nos acessórios que temos. Seja combinando itens coletados, parte de monstros, aumentamos os atributos dos personagens. Até o personagem ter a habilidade, é necessário ficar equipado, quando tiver a habilidade necessária, pode trocar o acessório.
As batalhas agora são tridimensionais, podemos correr todo cenário de batalha para utilizarmos estratégias mais variadas. O básico seria atacar por tras do monstro para tirar mais energia, mais pode se tornar mais profundo, separando o grupo para fazer um ataque em conjunto ou deixar um de presa enquanto outros atacam de surpresa pro tras. Na batalha tudo é definido pelo AP (pontos de ação), quando eles acabarem, é necessário recarregar e nessa hora fica aberto para o ataque do inimigo. Há também o conceito de monstro líder, como se fosse general da tropa dos monstros. Matando ele, os outros fogem e ganha experiência total da batalha mais bonus.
Como no primeiro jogo, cada membro do grupo é comandado por um botão para atacar. Dependendo do AP e dos equipamentos, podemos fazer combos gigantescos. Chegando nos 100hits no mesmo turno, há a opção do ataque Soul Crush, que seria o especial. Fora que tem o Break Mode, dependendo de onde atinge no inimigo, ele é iniciado, com isso fica livre por um certo período de tempo desferir quantos ataques quiser. Isso serve não só para causar um grande dano no inimigo, mas também para encher o Soul Crush.
Tem também os quebra-cabeças nas cavernas, que são bem mais complicadas que no primeiro. Agora podemos usar os monstros, além de plataformas, mas teleportarmos também. Lançando o Photon cristalizamos o inimigo, lançando novamente, teletransportamos para onde ele estava, assim sendo necessário para alcançar certas partes das cavernas.
Fora toda essa jogabilidade, uma das coisas que me deixou de boca aberta: o visual do jogo é maravilhoso. Os personagens, cenários, inimigos, tudo mesmo extremamente bem detalhado, parece que o impossível foi feito para este jogo. No entento, se vermos com olhos críticos, a Square usou um truque muito interessante para fazer toda essa maravilha visual, ela deixa somente uma coisa em foco de vez, por exemplo: se um personagem está falando, ele tem o foco principal e é todo detalhado, enquanto o resto fica embassado. Não que isso seja ruim, muito pelo contrário, deixa o jogo muito mais interessante, e também ele aceita formato widescreen e progressive scan. A música se mantém no nível da Square, impecável. No entanto as falas ficam meio abaixo da média Square de ser, não que sejam ruins, mas poderiam ser muito melhores.
Valkyrie Profile 2: Silmeria é um jogo profundo e extenso, que facilmente passa de 55 horas de jogo. Mas fica a recomendação, jogadores casuais poderão não gostarem, devido a isso. O jogo é mais recomendado para jogadores mais hardcore. Possivelmente um dos melhores RPGs lançados neste ano de 2006.
Redator Kaji