O ano passado, Prince of Persia: The Sands of Time enviou-me para o espaço sideral, tudo graças à sua mistura de cenários espectaculares, quebra-cabeças diabólicos, combates fluidos e poderes únicos de controlo do tempo. Em Warrior Within, o Príncipe regressa numa nova aventura, envolta em trevas ainda mais densas; as minhas expectativas: 1001 noites de prazer frente à PS2.
Chegara à Island of Time (llha do Tempo), o local onde as Sands of Time foram criadas e onde o Príncipe tem de mudar o passado ou sucumbir ao seu destino fatal.
Glórias do Passado
À semelhança da aventura anterior, Warrior Within gira em torno da temática do tempo e da sua manipulação. O Príncipe mantém muitos dos poderes de controlo temporal de que estava dotado no primeiro jogo, por exemplo, Recall (inverter do tempo durante um curto período de tempo) e Eye of the Storm (abrandar o compasso do tempo); estas habilidades são fulcrais para a sua sobrevivência e para a resolução dos inúmeros e diabólicos quebra-cabeças que tem de enfrentar ao longo do jogo. No entanto, em PoP:WW, tens de retroceder no tempo durante mais do que apenas 10 segundos: o Príncipe só conseguirá iludir a morte se empreender uma longa viagem pelo passado.
O Príncipe pode agora utilizar os portais espalhados pela cidade/palácio em ruínas e regressar ao passado remoto e pacífico daquela civilização: uma característica claramente inspirada nos elementos de salto no tempo incluídos no título recente (e excelente) da Eidos, Legacy of Kain: Defiance. Com o palácio em todo o seu antigo esplendor, tudo está intacto, por exemplo, as pontes e os passeios; o edifício é protegido por mecanismos de defesa formidáveis e automatizados; por isso, um breve regresso ao futuro pode ajudar-te a ultrapassar estes obstáculos.
Embora dote as aventuras do Príncipe de uma agradável (quarta) dimensão, ter de voltar a decifrar um quebra-cabeças desafiante e acrobático (ainda que subtilmente alterado) pode tornar-se algo enfadonho e frustrante, quando 'só queres avançar'.
Há sempre tempo para um combate
'Tédio' é a última coisa em que pensas quando se desembainham longas facas e está na hora de entrar em acção: as habilidades do Príncipe melhoraram, pois tem praticado bastante desde a última vez que o vimos. A novidade marcial que primeiro se destaca? Fácil - o Príncipe pode, agora, manejar duas armas ao mesmo tempo; deste modo, pode recorrer a novos ataques e golpes de espada letais, geradores de sequências de combate (tipo ballet) ainda mais impressionantes do que as do jogo anterior. Mas esta inovação não é uma escolha do tipo 'ou/ou', ao contrário do que sucederia num jogo RPG: a alternância entre o combate com apenas uma arma ou com duas faz-se de forma fluida; além disso, tens tantas opções de combate que vais ficar de cabeça à roda, enquanto os teus inimigos perdem a cabeça.
O Príncipe Encantado
Warrior Within é um digno sucessor de Prince of Persia: The Sands of Time - a prová-lo estão os seus efeitos gráficos, quebra-cabeças e excelentes sequências de combate. No entanto, falta-lhe uma coisa - encanto. The Sands of Time era uma experiência mágica desde o momento em que agarravas no comando até à altura em que a ficha técnica era apresentada no ecrã; ora, muita dessa magia devia-se ao cenário e à narração da história.
Os minaretes caiados e a arquitectura de interiores ao estilo árabe tornavam The Sands of Time num jogo único; infelizmente, essas características não fazem parte de Warrior Within. O Príncipe está, agora, numa atmosfera bem mais gótica e tenebrosa; embora o cenário tenha sido desenvolvido e seja apresentado da melhor forma, recorda-nos muitos outros cenários de jogo, contrariando, deste modo, a elevada qualidade a que a série nos tinha acostumado.
O estilo narrativo fascinante de The Sands of Time (de que a frase do Príncipe: "No, no, no. That's not how it happened" - "Não, não, não. Não foi isso que aconteceu", sempre que morrias, é apenas um exemplo) está também ausente da nova edição. Este simples pormenor coloca Warrior Within na fronteira dos mais convencionais jogos de aventura de acção. Felizmente, as proezas técnicas do combate fluido, dos movimentos acrobáticos e do controlo temporal impedem o Príncipe de cair nesse precipício.